Uma leitura da «contabalidade da ausência» por Natividade Ribeiro
"contabilidade da ausência", António Ferra, Edições Fantasma, foi apresentado na "Arte Graça", com a graça rica do despojamento da complexidade que é dita com a agudeza do verbo, a faca na língua, a tinta a correr no papel feita palavra, o olhar de través, travesso, através dos dias, as ausências, a contabilidade sempre inacabada na vida que ora flutua, ora mergulha em mares, tantas vezes, desconhecidos. O sempre humor, humano, tão humano, sobre o que não se olha (só o poeta entende este olhar), os nomes e a vida nomeados em "cartas distantes". Também "o fim da noite, a dor, a imobilidade, o inconformismo, as entrelinhas, os medos" e etc. Tantos atecetares...!
António Ferra apenas convidou "Graciliano Barroca" (como testemunho nas fotos) para ler poemas deste seu "contabilidade da ausência". Momento de graça tanta que o sol, finalmente primaveril, num sábado de abril, tudo acentuou, num encontro que foi muito, muito para além da poesia escrita e lida. Porque há coisas que não se dizem, não se escrevem. Embora se tente, como a Armandina Maia, neste excerto, do seu prefácio, com a limpidez das palavras que tão bem lhe (re)conheço, a que sabe interpretar tão de perto, tão de coração aberto:
"Não há um rumo assinalado nestes poemas de António Ferra. Mas desde o primeiro grito, sentimos o intuito do autor, primário quase, uma voz de berço que cresceu ao ponto de nos narrar, com a autoridade que reinvidica, a liberdade do voo. Do voo, da palavra, dos afectos, do tempo."
A poesia de António Ferra é para ser lida e relida, como já o fiz. E hei de voltar, hei de voltar... Mesmo que o "David"/os Davides não voltem...
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