domingo, junho 18, 2017

sábado, junho 03, 2017

Onde se encontra a recensão de «Dos Livros...» por JMS

http://leitor.expresso.pt/#library/expresso/semanario2327/revista-e/culturas/a-longa-viagem-de-um-coracao


DOS LIVROS LEVANTA-SE UM PÁSSARO
Recensão critica Expresso, 3 de Junho, 2017
Por José Mário Silva

Há uma estrofe que capta muitíssimo bem o lugar do sujeito poético neste livro: “Um gajo pensa que vai cair,/ assenta os pés em desequilíbrio,/ mas não cai, fica alia baloiçar/ de vara nas mãos,/ à procura do centro de gravidade.” Embora periclitante, o corpo mantém-se erguido, vertical, sobrevivendo como pode às saraivadas de um tempo que se mostra hostil. A escrita de António Ferra é a materialização desse ato de resistência às sujeições da ordem social, à “vida amarga” e ao “ruído da tristeza”, à vertigem do mundo digital e à ditadura do zoom que nos escrutina até ao mais ínfimo detalhe. Contra aqueles que “lixaram esta merda toda”, apoiados no “medo que ainda arde”, esta poesia defende a liberdade da imperfeição e do passo em falso, o “sabor descalibrado” dos frutos e a “alegre intromissão de certos bichos”. Em quase todos os poemas, ressoa a melodia melancólica da perda. Já nada corresponde ao que foi, o “sol deixou de nascer no sítio do costume”, as orquídeas murcham nas jarras, “os limões perderam a acidez”. Incapaz de compreender a História, o poeta olha para dentro: “Apenas vejo o meu pequeno pátio interior/ com um guarda-sol destruído, uma moeda de prata/ e as mesmas cores do silêncio”. A memória é um bálsamo, quando convoca a gasosa bebida na infância, cheia de gás e açúcar (“Quando se abria a garrafa,/ abria-se o mundo em bolhas de sol”), ou um velho amigo “com quem ia ver o fumo dos comboios sobre o rio”. Não há, porém, sequer uma sombra de desistência, antes vontade de colocar pauzinhos na  engrenagem e sonhos altos, como o de escalar uma montanha “com cordas de seda fina”. A clarividência, aqui, nasce sempre de uma “clara evidência”. Como atestam estes versos: “Afiava enxadas para cortar a neblina/ sobre searas à mercê de químicos/l e ficava pela madrugada fora,/ de navalha na mão, / desenhando corações atravessados/ porsetas nos troncos das árvores”.


Viriato Teles: texto de apresentação de "Dos Livros levanta-se um pássaro

Dos pássaros levantados e outros voos

Há muitos anos, no tempo em que sonhos não obedeciam às leis do mercado, houve uma espécie privilegiada de homens e mulheres que aprendeu a voar. Dirão alguns que as pessoas não voam, só os pássaros e as abelhas e os aviões são capazes de fazê-lo, mas não é verdade: há quem queira e consiga voar, voar mesmo, desafiando as leis da gravidade e da lógica do mundo.

O António Ferra faz parte desta espécie particular de gente que não se conforma com o que dizem ser o destino, nem se preocupa em viver de acordo com as tendências do momento. Escreve o que quer, como quer, e é assim que tem feito um caminho que é o dele, discreto mas consistente como conheço muito poucos. Esta é a sua forma (uma das suas formas) de voar.

Das maiores mentiras que nos contam desde há séculos é essa história de sermos “um país de poetas”. Tretas. Sim, é verdade que tivemos Camões, tivemos Pessoa, tivemos Cesário e O'Neill e Eugénio e Herberto, tivemos Guerra Carneiro e Assis Pacheco, ainda temos Alberto Pimenta. Temos, de facto, poetas maiores, mas que só o foram por terem sido capazes de pensar e sentir e viver para lá das fronteiras, quer as do país, quer sobretudo as das cabeças que vivem nele.

É isso que o António Ferra também faz, através de uma escrita clara e singular, mas nunca circular. O segredo desta escrita, da escrita do António, é que não tem segredo nenhum. São palavras diárias e comuns que ele modela com toques de magia e transforma numa poesia incomum.

E é por isso que ele é hoje uma voz única, que não procura sobrepor-se às demais – embora esteja acima da maioria delas. Como quando escreve:

Às vezes, dos livros levanta-se um pássaro,
um tanjarro, uma carriça, um papa-figos,
uma codorniz ainda selvagem,
à espera que lhe estudem
a morfologia, origem e destino

à espera que lhe expliquem
a mutação das penas.

António Ferra, o poeta e o cidadão, não quer ser capa de revista e não está disponível para a passerelle das pequenas vaidades em que se se habituou a viver uma parte não despicienda do nosso mundinho literário. Em vez disso, porque isso é que importa, procura insistentemente descobrir o “triângulo de quatro lados” de que falava Alberto Pimenta.

Claro que nada disto é novo para os amigos do António, que se habituaram a conviver com os livros que ele vai publicando, com aquele ar displicente de quem não se leva muito a sério – muito embora esta seja poesia da mais séria que conheço. Por exemplo:

Um gajo está desesperado
com uma dor na alma,
um navio atracado no peito,
e procura desesperadamente
um analgésico,
um comprimido mágico que traga a felicidade
por cinco minutos.

O pior são os efeitos secundários das metáforas.

Este livro, com este belíssimo título – “Dos livros levanta-se um pássaro” – são quarenta poemas do António Ferra que nos contam a vida, sem metáforas esdrúxulas nem palavras ocas.

Mas um livro também é um objecto, e neste caso um objecto muito bonito também, feito naquele jeito minimalista a que o António nos habituou, tanto na escrita como na pintura, para que no fim fique apenas aquilo que tem mesmo de lá estar. Isto, que parece tão simples, é afinal o mais difícil da arte – isto é que é o verdadeiro mistério da criação.

Posso dar alguns exemplos, a partir deste livro. Diz o António, na página 36:

Ferem-me os olhos incolores dos gatos
com três pernas.
Assim ficaram depois do santo ofício ordenar
a oposição entre a água e o fogo.

E noutro poema, mais adiante:

Aconselharam-me a meter a metafísica no rabo,
porque Nada é verdade,
os cães morrem a mesma morte ao longo dos séculos
e o Amor é sepultado ao lado da Fome.

E noutro poema ainda:

Já lixaram esta merda toda na
intransigência dos costumes,
na continuidade dos dias sem retorno
ao vôo das árvores migratórias.

Estes são apenas alguns fragmentos desta poesia sem lantejoulas, feita à medida do mundo, mesmo que não necessariamente a gosto do mundo.
Mas o melhor é lê-la, que é para isso que a poesia é feita. Este livro lê-se depressa, mas está longe de ser um livro apressado. Pelo contrário, é mesmo escrita de quem gosta de se demorar – sempre atento ao “funcionamento de pequenas coisas”.

Diz o António:

Perdi um pedaço de terrra
com árvores milenares e rios à alegria.
Mas ainda não desisti da escalada da montanha
com cordas de seda fina.

O segredo, digo agora eu, o segredo é capaz de ser mesmo só isto: não desistir, nunca desistir da “escalada da montanha”. Que é como quem diz: não desistir de procurar o tal “triângulo de quatro lados”.

E o António, já sabemos, é um desses que não desistem. Afinal, ele faz parte dessa espécie privilegiada e rara de pessoas que aprenderam a voar. E isso, felizmente, é coisa que não tem remédio.

Por isso, António, continua, por favor. Nunca deixes de voar, nunca deixes de te inquietar com as pequenezas do mundo. Dos livros levanta-se um pássaro, e nós com ele, certos da verdade toda que há nestes versos.
Ou, como ele escreve:

Mas alguém há-de aparecer,
podem contar comigo,
sou um gajo trabalhador, leal e de bom trato,
juntem-se à minha sorte a renascer.

Viriato Teles
20.Maio.2017




quarta-feira, abril 13, 2016

histórias curtas e mais longas em prosa poética



Toda a documentação estava organizada por ordem alfabética em ficheiros. Eram gavetas metálicas enormes, com cavaleiros a indicar a respectiva letra. Se procurasse, por exemplo, inocência, ia à letra i onde, depois de incêndio e antes de inocuidade, encontrava incentivo para tudo registar numa tábua rasa que guardava num canto da sala de trabalho.
À medida que os assuntos invadiam aquele espaço de cem metros quadrados, eu tinha de arranjar lugar para as palavras que se acumulavam, dispersas pelos mais variados lugares. Esta catalogação era uma tarefa minuciosa, mas simpática, que me trazia realização pessoal, pois convivia directamente com definições e conceitos úteis para a minha vida.
Algumas entradas tinham apenas a palavra em causa, mas depois havia um vazio. Era o caso de uma das primeiras, com a palavra absurdo, e uma das últimas, com a palavra universo. Todavia era um trabalho interessante, como dizia, também porque algumas pessoas vinham à sala para duas de conversa e davam-me coragem para arranjar soluções na arrumação dos ficheiros metálicos, às vezes com fatias de piza, barrinhas de chocolate e latas de coca-cola pousadas em cima. Esquecia-me de comer, por vezes, com o entusiasmo.
Até que um dia recebi ordens para abandonar o local de trabalho, ou seja, dispensaram-me para reestruturação do serviço. Sofri bastante com esta mudança (mudança era uma das entradas que apenas tinha nome, mas faltavam ainda explicações e elementos de registo mais detalhados).

7

terça-feira, julho 10, 2012

domingo, novembro 27, 2011

quarta-feira, novembro 02, 2011

o porquinho e as salsichas




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Muita gente quer a vida assim, com esta ligeireza, com um processamento rápido que se substitui à maturidade. É esta ganância imediatista que nos trama.

domingo, fevereiro 27, 2011

Anda, Grande ou «Mind the gap»

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Atenção ao intervalo entre o caos e o combóio, Jaques,

é proibido fumar em toda a rede do Metro

sábado, fevereiro 12, 2011

domingo, janeiro 23, 2011

terça-feira, novembro 30, 2010

O Chopin do Raúl



Raúl Peixoto da Costa

Tejo 2


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Pretexto para ouvir um excerto das variações em si menor, de Carlos Paredes

sexta-feira, novembro 12, 2010

entrar nos eixos




Clicar na imagem para ampliar





Fotomontagem AF

domingo, outubro 10, 2010

Dilma, futura presidente do Brasil


e quando lhe fizeram aquela pergunta embraçosa, ela respondeu assim

dezdodezdedoismiledez

10 10 10

1o 10 10

10 10 10

10 10 10

sexta-feira, maio 14, 2010

segunda-feira, maio 03, 2010

orquestra

«Podemos olhar para uma orquestra e estar a ver um prolongadíssimo cruzar de pernas da Sharon Stone», disse Fernando Tordo em entrevista à Pública, de 24 de Abril


domingo, abril 18, 2010

quinta-feira, abril 15, 2010

quarta-feira, abril 07, 2010

segunda-feira, março 29, 2010

terça-feira, março 09, 2010

Sapatolas

video

vídeo AF 2010

E é também uma homenagem àqueles que sabem da arte e que dão um bom contributo para a economia e para a imagem da gente e foram até aqui

domingo, março 07, 2010

terça-feira, fevereiro 16, 2010

Crespingway
















Crespo encorpando Hemingway

- "E, no seu caso, para a história do jornalismo, o que é mais importante: o Mário Crespo repórter, pivô ou cronista?"
- O pivô não vale nada. Gostava de ser visto como entrevistador. Nã...
o queria ser visto como um apresentador. Transporto um jornalismo tradicional, do Orwell, do Hemingway.
(entrevista à "Visão")


segunda-feira, fevereiro 15, 2010

quinta-feira, fevereiro 11, 2010

Todos os ministros...







Amadeu Baptista, com "Antecedentes Criminais" na mão









«Todos os ministros das finanças são impostos.»

in Ladainha curta para excreção dos governos, inédito, 2010

domingo, janeiro 31, 2010

KGB

Kápsulas Gontra Borracheiras














Estas Kabsulas zervem para quando uba bessoa

bebe the mais e nau guer vicar emvriegada. Por

exempblo um esbião nua adega, ó num bar, a beber

em trabalho gom o zoutros, inimigos,para les zacar

goisas, invormações e u garaças...toma as K G Bs e está a

andar, zempre a bombar... vaz-me lembrar aguela

rezeita de beru do natal...Bas tem de tomar o Vermelho

e o Negro, gumó Stendhal tomava em Vrança...Hic

PS- o bartelo e a voice é que nu era prezizo ba nada




























sexta-feira, dezembro 18, 2009

o Único













Um Crespo não-palhaço.
"O Circo são os outros"

quinta-feira, novembro 12, 2009

domingo, novembro 01, 2009

Luvas


















Não vejo que mal possa ter o costume de oferecer luvas, ou dinheiro para comprar luvas.

terça-feira, outubro 20, 2009

sexta-feira, junho 05, 2009

sexta-feira, maio 29, 2009

PORNOGRAFIA



10 MILHÕES

10 MILHÕES

10 MILHÕES

sábado, maio 23, 2009

terça-feira, maio 19, 2009

Ainda a necessidade do uso do Pressionómetro

































Outras situações onde deve ser usado o pressionómetro,
para ver se houve pressão e qual o grau. O seu funcionamento é em tudo igual ao aplicado a outros seres humanos






quinta-feira, maio 14, 2009

pressionómetro


















Este aparelho, que serve para medir as pressões, é adpatável a qualquer pessoa. As pessoas da imagem são apenas um exemplo, nada mais. Em casos de pressões ilegais a penalização pode ser atribuída em função da intensidade da pressão exercida. Existem pressionómetros já programados, que ao efectuarem a medição indicam logo o tipo e grau de penalização a aplicar.

medidor de pressões





















Pressionómetro

Os resultados podem ser facilmente registados neste manómetro. Com este aparelho espera-se um contibuto eficaz e célere para os inquéritos em curso. Pode ser aplicado por qualquer pessoa a qualquer pessoa. Não necessita de de formação especial.

sexta-feira, abril 24, 2009

Interpretação de um cartaz


















No mercado de Benfica deram-me este saco de pástico para trazer legumes variados. Qual foi a ideia do autor?
- Acho que ele partiu da ideia de que o 25 de Abril era qualquer coisa que rebentava de quantidade e qualidade, qualquer coisa explosiva que ia revolucionar o staus quo, neste caso da produção e venda das cenouras.
- Pouco se importou se banalizava um acontecimento nacional. Funcionou exprimindo-se numa semântica implícita na ideia de mudança, neste caso da distribuição de cenouras.
A iconografia do Vinte Cinco de Abril pode assumir inúmeras formas. Conhecia um sujeito, que se fizesse um cartaz, dizia que punha a Linda Lovelace em cima de uma chaimite.
Há de tudo!

quinta-feira, março 26, 2009














Homem calçando o calçado com calçadeira


Mulher calçando-se com calçadeira

calçadeiras


segunda-feira, março 23, 2009

domingo, março 22, 2009